Abaixo a cultura do desinteresse

Por falar em textão, em não ser monossilábico e tal, deixa eu contar uma historinha aqui:

Uma vez eu eu tava ficando com um cara e ele sumiu. Sumiu. Nunca mais respondeu meus torpedos (ele tinha um celular que o que tinha de mais tecnológico era o despertador), não me atendia, assim, fim. A gente marcou uma saída, ele furou. O homem que foi comprar cigarros e nunca mais voltou.

Eu quase morri (tava muito apaixonada). Desabafei com as amigas e elas calmamente me disseram “Marília, bem-vinda à vida de todas as mulheres: os homens somem. Só nunca tinha acontecido com você, mas eles somem”. Fiquei chocada, perdi uns 3 kg em uma semana, chorei, ouvi Raça Negra, essas coisas.

Mas aí claro, escrevi um textão, porque ele podia até não querer conversar, mas me ler, ele iria. Cada um usa a arma que dispõe.

Mandei por inbox aqui. Ele falou que não tinha condição de responder naquele dia, mas que no dia seguinte iria. Passou uma semana e nada. Porra, era grande, mas né possível, o ser humano era professor de Filosofia, me dedicava poemas do Maiakowski, NÃO É POSSÍVEL que não tinha dado tempo de ler.

Aí fiquei me sentido o que? Over!

(Coisas do patriarcado: cê tá numa relação há três meses e não era platônica não, era de verdade e o cidadão DO NADA te ignora sem avisar nada! Você podia muito bem o que? Surtar, gritar, xingar, perseguir no trabalho, furar pneu do carro, expor o cara na rede, mas não, nada, tu só manda um textãozinho e ainda se sente culpada e errada).

Ok. Resolvi encaminhar o texto para um amigo (homem) pra ele me dizer se eu tinha sido over mesmo (eu melhorei, nossa! Onde que eu fazia uma coisa dessas hoje?!), o que ele entenderia se recebesse uma carta daquela e tal.

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Esse amigo por acaso já conhecia o bendito, deram aula juntos e inclusive me falou à época, quando contei que tava com ele: “Sério que cê tá apaixonada por fulano? Fulano é um hippie que não tem nem celular porque não quer ceder ao sistema capitalista, meu bem, cuidado!”, risos, mas enfim, esse amigo também é dos textão, logo, pensei que ele seria o mais apropriado para julgar-me.

Ele (o amigo) respondeu o email com a DR encaminhada assim: “Caralho. MARÍLIA, ISSO NÃO É UMA DR. É UMA PEQUENA CRÔNICA SOBRE O ABANDONO OU O AMOR”.

(Eita sinceridade! Eram 4 laudas do word. Não sei vocês, mas acho de boa. Risos)

Me senti over com sempre me sinto mas com a consciência de que é… também, paciência, só sei ser assim.

Quer leveza, vai voar de balão, não se relacionar comigo.

Daí minha gente, se passaram três meses. TRÊS. E ele me LIGOU e falou “Oi. Então, eu queria pedir desculpas e sobre a sua carta, eu acho que..”.

O QUE QUE EU QUERIA TER DITO? ô seu fdp, cê quase acabou com a minha vida!morra!

O QUE EU DEVERIA TER DITO? Olha, confesso que achei bem imatura sua postura, mas ta bom, vida que segue. Beijos de luz.

O QUE EU RESPONDI? “OK”. (o joinha mental).

Três meses gente, três meses demorou a resposta (mas veio). Cada um tem seu tempo, já diria o IESB.

Mas eu sei que depois disso, tudo mudou.

E essa é uma pequena história (sobre nada com moral nenhuma, só pra me fazer lembrar porque eu só amo os hippiesNÃO PERA) que olha,

• a gente não tem que ficar se sentindo mal por ser quem é,
• que sumir não é coisa de gente honesta,
• que nós mulheres vivemos coisas absurdas em tipos de relações diversas, aceitando tudo goela abaixo e quando a gente surta somos taxadas de loucas ou de estar com TPM,
• que esse discurso de leveza é meu coo (cês viram a pesquisa falando que relacionamento duradouro depende de “a mulher manter a calma” né?) e
• que mandem textão sim, DR também que ninguém é obrigado a ficar doente de tanto guardar sentimento.

Demonstrem tudo. O mal do século é a cultura do desinteresse.

Hoje em dia falo tudo. É um filtro. Fica quem guenta. Mas, ó tem uma dica: alterna os textão com uns nude, uns memes, umas piadas porque também ninguém é obrigado.

É isso. (e já fui over de novo aqui, eu sei. Foda-se.)

Obs: Se puderem, evitem os professores de Filosofia. (Confesso que nessa reforma do ensino médio aí quase add ele aqui de novo pra falar: “parece que o jogo virou né kirido”), mas sou muito madura e o máximo que fiz foi mudar de caminho quando encontrei ele na rua.

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