Meu querido, meu velho, meu amigo

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(Ler escutando essa música) 

A primeira vez que tive uma noção real do tempo (e da idade) foi quando, pré-adolescente, uma criança me chamou de “moça” na rua.

Eu, moça? Como assim?

(Isso me marcou tanto que gosto que me chamem assim até hoje)

Lembro também quando meu pai completou 40 anos. Ele ganhou uma camiseta “40tão Potência máxima” (risos). 40.

Eu tinha 8 anos e 40 me parecia tão distante, tão velho, tão sei lá.

Hoje, 40 é a média de idade dos meus namorados, amigos, colega de trabalho. 40 é o novo 20.

Meu pai completa hoje 60 anos. 60.

Parar pra pensar nisso me dá outra sensaçao de finitude do tempo, um marco temporal, um nó na garganta, um “caramba, meu pai chegou à velhice”.
60 anos e ele já é considerado idoso pela legislação brasileira.

Ver os pais da gente envelhecendo é estranho né?Mas é um baita privilégio, é sim.

Que o 60 seja o novo 40, que meu pai viva mais um bocado de anos pra ir arrumar meu carro no mecânico, buscar Miguel na escola, cozinhar minhas comidas preferidas, cobrar minhas ligações, reclamar da minha roupa curta, puxar assuntos polêmicos, conversar sobre história e política comigo, me fazer passar raiva com suas rabugentices e viver de amor como foi até hoje.

Meu velho. (Ps: acho que essa foi a última foto que ele tirou comigo. Não tira mais nem a pau. Juvenal)

Postado originalmente no Facebook, ano passado. 

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