Liberte seu amor

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Nessa semana, a prefeitura de Paris decidiu retirar os milhares de “cadeados do amor” que lotavam as grades de proteção da Pont des Arts, na cidade. São cerca de 45 toneladas de cadeados, quase um milhão deles, que foram deixados como símbolo de amor eterno.

A justificativa do governo local é a danificação de locais históricos causada pelo peso dos cadeados, que fez até parte da ponte desabar no ano passado, mas eu tô aqui é aplaudindo o valor simbólico do ato. O cadeado é talvez o anti-simbolo do amor.

Deixar um cadeado preso numa ponte, como símbolo de amor eterno, consegue no máximo simbolizar um amor prisioneiro.

Essa tradição (bizarra), iniciada numa obra de ficção, mas que rapidamente ganhou o mundo, apenas exemplifica como encaramos o amor e as relações. Desnuda a maneira idealista e a possessiva que encaramos o amor! Um amor que em vez de libertar, tranca, aprisiona, acorrenta, ancorado na ilusão de que vai durar para sempre. Me perdoem os (muito) românticos, tudo bem acreditar (apesar que, como já dizia o poeta, “o pra sempre, sempre acaba”), mas o gesto de trancar não é bonito, não remete a amor eterno e sim a uma sentença.

Pontes talvez sejam um dos símbolos mais eficazes para encurtar distâncias, unir lados e aproximar duas realidades distintas, não coloquem sobre elas o peso do seu amor (ou da sua expectativa). Ano passado, na mesma Paris surgiu a campanha “No Love Locks” (Não ao Cadeado do Amor), com o slogan genial  “Free Your Love, Save our Bridges (Liberte seu Amor, Salve Nossas Pontes). A campanha, assim como a decisão do governo local agora é baseado na conservação do patrimônio, mas a minha é: “amor é ponte, não cadeado”.

Laço de amor, quando vira fardo e tranca, não é mais laço, é nó.

“”Paris deverá continuar sendo a capital do amor… Que os casais continuem a se declarar, a se pedir em casamento, pode ser sobre a Pont des Arts, mas sem pendurar um cadeado”, disse o secretário de Cultura de lá. Sim, o amor nunca precisou de cadeados, nem de alianças, nem de rituais. Nós é que precisamos de certezas e garantias para amar, o que está totalmente equivocado.

Aqui uma reportagem de utilidade pública (sóquenão) dizendo onde você pode deixar seu cadeado do amor ainda. Cadeados não.

 Se é que o amor precisa de algo, é de liberdade.

Cante com o Gil “O seu amor ame-o e deixe-o livre para amar. Livre para amar .Livre para amar .O seu amor .Ame-o e deixe-o ir aonde quiser . Ir aonde quiser. Ir aonde quiser.”

Free Your Love.

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