Quem tem medo de mamilos pretos? – O ranking do machismo na USP

Estava indo dormir ontem quando resolvi dar aquela última olhada na internet. Me deparo com a notícia “Ranking expõe intimidade sexual de alunas da USP e causa revolta”. Fui ler e o caso se trata de uma “brincadeirinha” que os estudantes (homens) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), no campus da USP em Piracicaba(SP) fizeram: criaram um ranking da vida sexual das meninas, afixado na área de vivência (onde há maior circulação de pessoas) para que, de maneira c o l a b o r a t i v a os machinhos fossem marcando com quais delas eles já haviam transado. Não pára por aí. O ranking foi dividido em três categorias, que são elas: buceta fedida, teta preta (porque não bastar dizer que as mulheres transam – como os homens – é preciso dizer que nosso corpo é defeituoso, feio, fora do padrão. É aquilo: não somos apenas machistas: somos também racistas, homofóbicos…) e sociedade do anel

Não sei como, mas ainda me surpreendo com o machismo. Fui dormir extremamente triste e pensativa. Me coloquei no lugar de cada menina que foi exposta, difamada e ridicularizada. E nem precisei fazer um grande esforço de sororidade porque eu mesma já fui vítima de ameaças nesse sentido. Certa vez tive meu aparelho celular furtado, meus e-mails e redes invadida e o único objetivo do agressor era o de me ameaçar e chantagear através da MINHA vida intima e sexual.

Vivemos numa época em que transar ou ser livre depõe contra sua conduta, seu caráter, sobre o que você é. Comigo não funcionou, mas quantas mulheres são vitimas diariamente do revenge porn? Quantas já se suicidaram por terem sua intimidade, seu corpo, seu sexo exposto na internet? Quantas ainda serão punidas por exercer seu direito ao prazer, ao seu corpo?

Para além das consequências que esse crime na USP possa causar nas meninas é hora de parar para pensar o que significa esse ato machista. Por que esses estudantes “agroboys” quiseram ridicularizar as minas? Não gostaram do sexo? Como é: homens gostam de mulheres que transam, mas não gostam de mulheres que GOSTAM de transar? (Porque eles anotaram a quantidade de vezes em que “repetiram a dose” com a mesma garota).

Claro que gostam. Parece que o grande problema é a ousadia das mulheres quererem igualdade. Parece que é extremamente ofensivo para eles mulheres que gostam de transar sem compromisso porque assim, derrubam o mito de que elas, ou nós, sempre estamos à espera de uma relação e usamos o sexo para esse fim.

           Certa vez, estava eu numa roda de conhecidos (homens) e eles falavam, de maneira bem machista que todos ali haviam “pegado” uma menina aí. Um soltou “ela rodou na nossa mão”. Apenas respondi: “Queridos, se ela pegou todos vocês, foram VOCÊS que rodaram na mão dela e não o contrário”.

            Moças, transar não é errado. Muito menos gostar de transar. (Talvez a coisa errada nessa história toda seja a escolha dos caras com quem  você transa. Um que te coloca num ranking não é uma boa escolha, definitivamente).

           A outra coisa é a tentativa de ridicularizar nossos corpos e características.

Buceta fedida é nada mais, nada menos que a velha lógica higienista do machismo, que quer tirar de nossas vaginas os pelos e o cheiro. É a cultura do “sabonetezinho liquido” que nos empurram goela abaixo, naturalizando que mulheres não podem ter odores e fluidos, que temos que cheirar a floral. Olha só: pinto tem cheiro, buceta idem. Aceitem. Se você não gosta do cheiro natural de uma (não me refiro à falta de higiene), fique livre pra procurar algo que te agrade: talvez outro pênis ou uma boneca inflável.

 Teta preta é, além de racismo, um resquício da cultura do pornô. Vocês meninos que cresceram assistindo esses filmes (que vou contar pra vocês, ensinam tudo errado viu?) que só tem mulher branca/euroupéia de mamilo (e c* rosa), acham que esse é o padrão, isso que é agradável aos olhos e excitante. Queridos, saiam da caixa.

[Lembrei de quando a Cléo Pires posou nua na Playboy e o grande comentário foi que seus mamilos eram escuros. Cléo,a típica brasileira,meio índia, linda…queriam que seus mamilos fossem rosados. Esse padrão de beleza hibrido (porque é impossível uma mulher só reunir todas as características “ideais”) é  também, mais uma maneira de inferiorizar a mulher, como se o fato de ter mamilos escuros fosse algo ruim. Ei vocês, deixem nossos mamilos em paz].

A sociedade do anel é também um grande paradoxo. Homens, em geral, tem um grande fetiche com a relação anal. O bumbum é a preferência nacional do brasileiro (dizem) e parece que convencer uma mulher a fazer sexo anal é a meta de 8 entre cada 10 homens (de acordo com meu próprio instituto de pesquisa empírico, risos), mas se uma mulher gosta, pede, faz, aí merece ser constrangida em público.

            Constrangida?

A grande arma contra o machismo e esse tipo de prática é naturalizar o que para eles é assustador: a gente gosta de sexo, a gente quer transar, a gente quer liberdade, a gente ama nosso corpo e ele não existe para agradar você homem. Nossa sexualidade não gira em torno de você. O mundo das mulheres não gira em torno de vossos paus. E é por isso que o ranking existe.

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Fazendo um exercício de inversão: mulheres fariam um quadro em que julgariam os homens em categorias? Sei lá: pau pequeno, goza rápido e curte fio terra? Não. Porque NÃO existe opressão sobre a vida sexual masculina, nem ditadura para a estética do pênis, tampouco pelo cheiro que exala, muito menos que o que quer que ele faça entre quatro paredes interfira na sua imagem perante a sociedade. E mulheres não tem medo (ou inveja, né Freud?) da sexualidade dos homens.

E a resposta das minas da USP não poderia ser melhor. Se eles se assustam com liberdade, pois então que nem saiam de casa. Vai ter mulher livre, gozando e amando seu corpo.

Ter uma vida sexual livre nunca foi e nunca será motivo de vergonha.

 O ranking do machismo só escancarou o medo que o patriarcado e a sociedade em geral tem das mulheres livres. Enquanto eles escrevem em muralzinho, a gente, igual aquela página do Facebook PREFERE TRANSAR.

Não passarão.

E moças: libertem seus mamilos. Eles são lindos.

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 Cartaz-resposta das minas

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Quando eu me chamar saudade (texto pré-póstumo)

(Prólogo: Leia o texto ouvindo essa música)

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Atire a primeira pedra quem nunca pensou no seu próprio velório. Será que vai ter muita gente? Será que vão chorar? Quem vai chorar mais? Quem vai ficar com remorso? Terei homenagens?

Sempre tive uma relação intensa com o fim, com a eternidade, com a morte. Um misto de excitação com medo. Me atrai mas me assusta. Gosto de cemitérios, gosto de biografias (principalmente de quem já morreu), gosto de rituais, gosto de pensar na possibilidade de deixar algo nessa vida para além dessa matéria, desse corpo. Gosto até de enterros, de observar como as pessoas se despedem dos seus entes queridos porque acho que diz muito sobre como vemos nossa própria existência e relações.

Nunca tive medo de morrer, nunca. Talvez porque não tenha passado ao longo desses 28 anos (completando hoje) algum susto ou momento que me colocasse perto disso. Talvez. E também não tem relação com o fato de que cresci numa família cristã (evangélica) em que a “salvação” e o “céu” sempre foram os bônus e as garantias de uma vida “andando na linha”. Pra falar a verdade, quando frequentava igreja, sentia um certo pânico quando ouvia isso de “eternidade”. Legal que ia ser com Deus (morro de vontade de conhecer O cara, acho Ele maneiríssimo, apesar que ia rolar uma discussão de relação), num lugar lindo e cheio de paz, mas isso de “pra sempre” me angustia. Um medo do tédio. Perdão se é heresia.

Mas meu “não- medo” da (minha própria morte) tem muito mais a ver com o medo da morte dos outros e na urgência em que vivo a vida.

Desde criança meu grande medo era da minha mãe e do meu pai morrer. Das minhas irmãs. Depois amigos. Namorados. Agora meu filho. E todo mundo. Esse medo me dominava. Se meu pai demorasse um pouco mais do trabalho, eu já pensava o pior. Não lido bem com perdas e eu nem sei bem porque, pois não perdi quase nada na vida (só a dignidade).

Esse medo acabou gerando uma urgência em viver. (Lulu Santos me entende). Eu tenho que demonstrar tudo, eu tenho que perdoar, eu tenho que relevar, amanhã pode não dar tempo, sempre pode ser a última vez. Quebrei muito a cara nessa coisa toda, me machuquei e me violentei muito sendo assim, pois acabava me colocando em segundo plano, porque afinal, a vida é curta e podia ser a ultima vez.

Talvez agora, quase balzaquiana, fazendo terapia e num processo profundo de autoconhecimento esteja cortejando o equilíbrio. Meu pai, sempre me vendo querendo resolver as coisas na hora , sofrendo e amando exageradamente por medo de um amanhã que talvez não viria, me repetia “Marília, amanhã é outro dia, o mundo não vai acabar”. E essa expressão, junto com o “ relaxa” (bem pausado) da minha professora de Yoga é o que mentalizo quando essa urgência me consome.

Às vezes funciona.

Meu mesmo pai falou essa expressão “o mundo não vai acabar” quando minhas irmãs choraram e imploraram para ir ao Show dos Mamonas Assassinas em Brasília. Elas, no auge da adolescência (época em que a gente acha que tudo é urgente!) choravam, afinal era a melhor banda de todos os tempos.

“Eles não vão morrer. Depois vocês vão em outro show”. Eu tinha 9 anos e acordei no dia seguinte, 2 de março de 1996 (um dia que nunca esqueço e que agora é o dia de aniversário do meu filho) com o noticiário da TV e o país em choque. O avião que levava os integrantes dos Mamonas bateu na serra e eles morreram. O show em Brasília foi a despedida. O último. E minhas irmãs nunca terão essa oportunidade novamente.

Ei pai, nem sempre terá amanhã.

Nos dias que antecedem meu aniversário, sempre faço um balanço do meu ano, da minha trajetória, do que espero para o próximo período. As pessoas próximas de mim sabem o quanto eu dramatizei esse último mês. Afinal, grandes gênios da música e da arte não sobreviveram aos 27. Falei que fiquei preocupada, afinal porque seria eu a exceção? Risos.

E testes não faltaram: suspeita de dengue, umas febres, umas dores, uns enjoos, umas coisas estranhas, pneu desparafusado em via de alta velocidade, um susto, um carro batido, um quase incêndio em casa sozinha. Comecei a acreditar que não ia sobreviver mesmo.

E caso não sobrevivesse (ia achar muito glamuroso morrer com 27) teria mó orgulho da vida que construí, sério mesmo. Mas por favor, não manchem minha imagem no meu ritual de despedida.

Nesses últimos meses muita gente conhecida morreu e participei de dois velórios contrastantes.

Um dele foi o de um amigo, que um dia foi evangélico, mas que nos últimos anos não acreditava mais em religião (nos ensinamentos de Jesus sim)e até era revoltado com a manipulação da fé alheia.  Seu velório teve TRÊS pastores diferentes, um mais cheio de ego que o outro, que disputavam quem falava a palavra mais bonita e colocavam meu amigo como “alguém que Deus ia ter misericórdia” e que pra “você que tá ouvindo isso, ainda há tempo”. Foi horrível. Não condizia com a vida dele, que era uma pessoa generosa, amiga, que transmitia bondade e paz, mesmo não sendo religioso.

A outra pessoa é a mãe de uma amiga, uma mulher livre, militante, dona de si, amante da vida, das pessoas, dos animas e das plantas (palavras da filha) e que teve um ritual de passagem muito condizente com isso. Nunca vi tanta gente bonita, serena, em paz. Nunca vi tanto cuidado, amor, empatia. Nunca vi musicas, poemas, desenhos e artes num velório. Saí de lá melhor do que entrei. Saí decidida a ter um fim de vida que valesse a pena ser comemorado e não chorado.

Então, favoritem esse post e todos vocês, que já receberam minhas cartas, meus presentes, minhas DR’s, meus áudios de 10 minutos no whatsapp, que já ouviu um “Eu te amo” meu (e eu amo muitas pessoas e digo isso sem vergonhamente) cuidem da minha imagem póstuma, se eu me for antes de vocês.

Regras:

  • Nada de pastores ou padres. Não frequento uma igreja há uns 12 anos. Não quero nada de religião lá;
  • Mas alguém precisa conduzir os trabalhos, ler uns poemas de Carlos Drumond de Andrade, Fernando Pessoa, Manoel de Barros e Leminski (meus preferidos) e cantar umas músicas no violão (que eu sempre quis aprender a tocar e acho que nunca vai rolar, então vai ser meio poético alguém tocando), então quando souberem da fatídica noticia, reúnam-se todos e decidam quem vai ser o apresentador do evento. Como boa geminiana, tenho muitos e diferentes amigos, mas nada de disputa, nem ranking de quem eu amava mais. Sugiro que seja a pessoa que eu tava mais próxima antes de morrer, porque sou meio sazonal com as amizades;
  • Decidido o apresentador e a logística: confio em vocês para falar coisas bonitas e engraçadas. No meu velório vai poder rir, fazer piada, falar mal de mim. Podem citar histórias que me envolvam (mas nada de mostrar meus nudes), pode dizer o quanto mudei sua vida, enfim, se organizem pra dizer ao mundo o quanto fui uma pessoa genial, amiga, feliz. Sempre gostei de paparicações, coerente desejar isso até o fim;
  • Podem chorar. “Ai, ela não queria me ver triste”. Nada disso. Quero sim. Quero todo mundo sofrendo minha ausência no mundo. (Só não quero ninguém chorando de remorsinho, do tipo “devia ter dito isso pra ela”, “devia ter feito isso”, “devia ter aceitado o convite dela”. Ó se tu é desses, nem merece estar no meu velório. Era uma pessoa super disponível [(tá bizarro escrever isso como se eu já tivesse morrido mesmo)], que dizia mais sim do que não e se não fez em vida, nem se dê ao trabalho do mimimi. Aliás, se tu é desses ou dessas que economiza palavras e afeto, morra também);
  • Iria adorar que todos meus ex, atuais, affais e quase futuros estivessem presentes (menos um , esse proibi de aparecer e ele sabe ). De repente podia rolar uma foto (não, não ia caber). Todo mundo me daria parabéns pelo meu grau de diversidade e bom gosto. Risos;
  • Gente de fora de Brasília: obrigatório. Foda-se. Paguem a passagem em 10 x. Eu mereço essa homenagem;
  • Se forem cantar músicas: cantem as que eu gostava. Raça Negra, SPC, Arnaldo Antunes, Los Hermanos (desculpa desapontar),Leoni, Fabio Jr, Roupa Nova, Nenhum de Nós, Legião Urbana, Caetano, Tim Maia. Nada de musica internacional (tá bom, Jason Mraz e Amy Winehouse pode ), nem sambinhas cults. Podem eleger três músicas in memoriam (Você é má , do Zeca ), Ela é Tarja Preta do Arnaldo ou Cheia de Manias. Elas me representam;
  • Tá liberado ler o” poeminha do contra” que tenho tatuado nos ombros “Eu passarinho”. Esse clichê é obrigatório até;
  • Podem falar que eu era uma pessoa incrível, amiga, generosa, que ajuda todo mundo, que não era apegada com grana, que amava todas as pessoas e amo (mesmo as pessoas que ficavam um dia só na minha vida), que nunca fui de cobrar, que detestava incomodar, que sempre trabalhei, paguei minha faculdade, minhas contas (mas sempre fui meio péssima em finanças), que nunca reclamava da vida e que achava graça de tudo, que detestava jogos (todos, mas principalmente os amorosos),que mandava sms no dia seguinte, que dramatizava coisas mínimas, mas tornava leve problemas intensos e tal. Mas podem dizer também que eu era desorganizada, esquecida, relapsa, briguenta (adorava, mas muito mais pra colocar minha opinião do que pelo atrito), que nunca fui pontual, que vivia sendo multada e que dei muito dinheiro ao Detran, que era paranóica, que tinha mania de ter DR’s infinitas (nessa hora um ex meu, que nem chegou a ser namorado vai falar que mandei 6 paginas do word pra ele, quando ele sumiu por dois dias), que nunca aprendeu a cozinhar, que nunca soube fazer baliza, que era preguiçosa demais, um tanto estranha e antissocial etc, etc. Façam homenagens reais (só com uma licencinha poética básica);
  • Podem tirar selfie com meu corpinho morto, desde que a morte não tenha causados muitos efeitos. Se eu tiver verde, ferida, inchada, etc, postem fotos de quando era linda, por favor;
  • Não quero ser enterrada. Tenho claustrofobia e não quero ninguém tendo a obrigação de ir limpar meu tumulo, me visitar, etc. Além do quê, nunca tive (vontade de) casa própria em vida por ideologia mesmo e ter quando morta seria de uma incoerência sem tamanho. Podem me cremar e joguem minhas cinzas, hum… ali, entre a Torre de Tv e o Memorial JK, no eixo Monumental, na hora do pôr-do-sol. Aquele trecho é o mais bonito de Brasília pra mim e passei por lá quase todos os dias para ir trabalhar e todos esses mesmos dias me senti abençoada de viver sob esse céu e esse planalto central;
  • Não quero flores. Nenhuma. Nunca gostei. Não gastem com isso. Levem doces, sei lá;
  • Encerrado o ritual, amigos que estejam lendo isso, deem um jeito de descobrir minha senha das redes sociais (principalmente a do Facebook). Vai ter que ter ajuda profissional, porque minhas senhas são tipo “oiporfavormeveumaaguacomgas158emParis”. Desativem a necessidade de eu autorizar a marcação de fotos. Pode deixar a galera me marcar em fotos antigas e textos emocionados (apaguem as inbox comprometedoras, que envolvam fotos e coisas alheias);
  • Depois podia rolar uma festa no meu apartamento (supondo que eu teria um e não que eu estivesse vivendo na casa dos outros igual tô agora). Ia ser massa ter todos os amigos juntos em minha memória, alguns que nem se conheciam e tudo. Podiam dividir minhas roupas entre as amigas, levar meus diários pra rir, levar fotos. Iam ter que descer pra comprar bebidas e comidas, porque na minha geladeira nunca tem nada, mas ia ser lindo. É isso! Que tudo termine numa festa. Porém tenho uma exigência: COM VIDEOKÊ. Sim. Respeitem isso;
  • No fim desse dia durmam em paz com a certeza que fui feliz o tanto que pude. Que vivi amores intensos, necessários, de aeroportos, de rodoviárias, de Tinders e de vida real. Que passei por todas as experiências que a vida me ofereceu e mesmo nas mais dolorosas, consegui tirar uma lição delas e sair mais fortalecida. Isso é resiliência e isso eu tinha. Que nunca dei lição de moral, que nunca fui exemplo, que nunca quis ser perfeita, mas que vivi sem medo, que vivi de peito aberto, que respeitei minhas relações, que gastei muito dinheiro em bobagens, que não deixei 1 centavo pra ninguém, mas nunca fiquei sem dormir por problema nenhum. A maioria das pessoas que irá em meu velório terá, com certeza em algum lugar, mesmo que seja na memória, uma declaração de afeto minha. Porque se qualquer uma das pessoas que eu gosto, gostei, amo, tinha na vida (e isso se aplica a literalmente todas as pessoas, mesmo as pessoas que só vi uma vez na vida) morresse hoje, eu me despediria feliz.

Que reciprocidade, empatia e afeto eram minhas palavras preferidas. E gratidão (mas essa tá na modinha, então deixa). E que no fim, vale a pena não confiar tanto assim que vai ter amanhã. Sei lá vocês. Esse parágrafo saiu meio Renato Russo né?

(Epílogo: Se forem dizer alguma coisa de mim, definitivamente, digam que eu NUNCA dormi brigada com ninguém. E que eu tinha uma bunda incrível)

Liberte seu amor

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Nessa semana, a prefeitura de Paris decidiu retirar os milhares de “cadeados do amor” que lotavam as grades de proteção da Pont des Arts, na cidade. São cerca de 45 toneladas de cadeados, quase um milhão deles, que foram deixados como símbolo de amor eterno.

A justificativa do governo local é a danificação de locais históricos causada pelo peso dos cadeados, que fez até parte da ponte desabar no ano passado, mas eu tô aqui é aplaudindo o valor simbólico do ato. O cadeado é talvez o anti-simbolo do amor.

Deixar um cadeado preso numa ponte, como símbolo de amor eterno, consegue no máximo simbolizar um amor prisioneiro.

Essa tradição (bizarra), iniciada numa obra de ficção, mas que rapidamente ganhou o mundo, apenas exemplifica como encaramos o amor e as relações. Desnuda a maneira idealista e a possessiva que encaramos o amor! Um amor que em vez de libertar, tranca, aprisiona, acorrenta, ancorado na ilusão de que vai durar para sempre. Me perdoem os (muito) românticos, tudo bem acreditar (apesar que, como já dizia o poeta, “o pra sempre, sempre acaba”), mas o gesto de trancar não é bonito, não remete a amor eterno e sim a uma sentença.

Pontes talvez sejam um dos símbolos mais eficazes para encurtar distâncias, unir lados e aproximar duas realidades distintas, não coloquem sobre elas o peso do seu amor (ou da sua expectativa). Ano passado, na mesma Paris surgiu a campanha “No Love Locks” (Não ao Cadeado do Amor), com o slogan genial  “Free Your Love, Save our Bridges (Liberte seu Amor, Salve Nossas Pontes). A campanha, assim como a decisão do governo local agora é baseado na conservação do patrimônio, mas a minha é: “amor é ponte, não cadeado”.

Laço de amor, quando vira fardo e tranca, não é mais laço, é nó.

“”Paris deverá continuar sendo a capital do amor… Que os casais continuem a se declarar, a se pedir em casamento, pode ser sobre a Pont des Arts, mas sem pendurar um cadeado”, disse o secretário de Cultura de lá. Sim, o amor nunca precisou de cadeados, nem de alianças, nem de rituais. Nós é que precisamos de certezas e garantias para amar, o que está totalmente equivocado.

Aqui uma reportagem de utilidade pública (sóquenão) dizendo onde você pode deixar seu cadeado do amor ainda. Cadeados não.

 Se é que o amor precisa de algo, é de liberdade.

Cante com o Gil “O seu amor ame-o e deixe-o livre para amar. Livre para amar .Livre para amar .O seu amor .Ame-o e deixe-o ir aonde quiser . Ir aonde quiser. Ir aonde quiser.”

Free Your Love.